Guguzinho, o gato uma história de superação.

"A Compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e pode se seguramente afirmado que quem é cruel com os animais, não pode ser um bom homem." Arthur Schopenhauer








Guguzinho, o gato nos dias de hoje, feliz e saudável


Caros amigos e inimigos leitores,


Este que vos escreve, estava a procura de algo diferente para contar a meus leitores. Enquanto amadurecia a ideia sobre o que ia escever estava vendo as notícias que rolavam na internet quando vi um gato com o nome de Guguzinho. Comecei ler a sua história contada por sua dona, que chamou minha atenção.
Nem imaginava até então contar a história do gatinho que tinha tudo para ser mais um entre tantos abandonado nas ruas, doente e que morreria.
Não, ele não entrou para a triste estatística dos animais de rua que morreram, graças a senhora Patricia Baars que o resgatou, lhe deu um lar, cuidou dele, mesmo o gatinho estando com a saúde debilitada e com o risco de morrer.
Nada é por acaso nesta vida e, com certeza, Guguzinho foi colocado na vida de sua dona para que ele vivesse com saúde e com todo o cuidado necessário. Sua dona resolveu resgatar outros gatos. Os gatos estão em adoção responsável e algumas regras devem ser atendidas por parte dos interessados em adotar um gato. 
Existem algumas formas de ajuda para que o trabalho de resgate possa ser realizado, mesmo que a pessoa não possa por algum motivo adotar. No final da matéria, tem o link que direciona o leitor diretamente a página do Gato Guguzinho, onde o leitor pode obter mais informações.**




Guguzinho o gato relaxando


Para que o leitor tenha uma ideia do que aconteceu com Guguzinho, o gato, segue abaixo a íntegra do relato de sua dona, Patrícia:

*"No dia 16/05, fez 2 anos que ganhei um dos maiores presentes que podia ganhar nessa vida. Sim, ganhei um gato, meu gato. Aliás, ele pouco se parecia com um gato, seu corpo raquítico, tomado por larvas que nele cresciam, seu miado de dor, seus olhos que refletiam  desespero, fizeram com que eu visse nele um morto vivo. Vi muitos deles depois dele, mas ele foi o primeiro.  Ele mal conseguia se levantar, miava de dor na tentativa de ingerir o pouco de ração que ofereci. Depois de muito custo, consegui fazer com que ele se alimentasse, depois de muitas lágrimas correrem, depois de muitos passarem pela lamentável cena e virarem o rosto.
Agradecido pela refeição, ele foi se arrastando para o canto em que estava, onde esperava a morte, que certamente viria, mas não chegaria sem antes fazê-lo sentir muita dor. Foi naquele momento em que alguma coisa mudou dentro de mim e ali eu soube que nada mais seria como antes, que o egoísmo tinha dado lugar a algo tão maior, que minhas palavras sempre serão insuficientes para explicar.







Peguei o gato. Chega de ver sofrimento e não fazer nada. Sim, eu já tinha 4 gatos, mas nunca tinha visto tamanho sofrimento, eles vieram relativamente bem das ruas, paguei uma consulta, uns exames, vacinas, remédios e pronto, estavam com a saúde perfeita. Mas, com esse gato era diferente. Não o tirei daquele inferno para ficar com ele, queria apenas poder oferecer um pouco de conforto nos últimos momentos de sua vida.
Cheguei com o gato na clínica e anoitecia, era uma sexta-feira. O veterinário logo viu que o caso era grave, bastante grave. Foram semanas de internação, com idas e vindas muito dolorosas, e quando o dinheiro acabou, pedi ajuda, queria muito salvá-lo, queria muito provar para mim mesma que apesar de não ter conseguido salvar uma das pessoas que mais amei na vida, eu iria sim conseguir salvar o gato. Ele lutou muito, foi valente, se apegou às pessoas que cuidavam dele na clínica. Eu via em seu olhar que ele queria experimentar uma vida diferente, ele me abraçava, ele me agradecia ao se esforçar para encostar em mim suas patinhas inchadas pelo excesso de soro  e de medicamentos intravenosos.
A partir de então, ele se tornou Gugu, em uma homenagem póstuma a um amigo. Tão magro e tão frágil, preferi chamá-lo de Guguzinho. Enfim, foi fechado um diagnóstico nada animador, Gugu era portador de AIDS Felina (FIV), tinha um cisto no rim, era paciente renal, sofria de graves problemas hepáticos, convivia com uma fratura no pescoço, a essa altura calcificada, tinha bronquite e uma infecção fortíssima. Era certo, não ia sobreviver, eu fui me preparando para deixá-lo ir e ia visitá-lo todos os dias. Ele se jogava em cima de mim durante as visitas, se esquecia do dolorido acesso venoso. Para ele, naquele momento, não existia dor, nem limitações, ele só queria ser amado antes de partir.
Não queria sofrer quando enfim ele fosse embora, mas não podia deixar de mostrar para aquele pobre gato que ele era amado. Mesmo que não ficássemos juntos muito tempo, ele já era meu! E uma tarde fria de Julho trouxe com ela o dia do adeus, ele estava definhando, seu corpinho frágil não conseguia mais combater a infecção por conta da FIV, seus órgãos já não podiam mais funcionar, sua alimentação era forçada. Por conta de uma prova em outro estado, precisei me ausentar por 3 dias e fui me despedir, chorei tudo que eu tinha para chorar em cima dele até sua pelagem escassa encharcar, e me desculpei por não poder estar com ele na hora de partir e por não ter chegado a tempo de salvá-lo, mais uma vez tinha chegado  tarde.







Com a alma despedaçada, com o coração partido, sentindo uma das piores angústias que já experimentei, entrei naquele avião e lá de cima pedi a Deus que tivesse compaixão do Gugu, pois ele merecia viver, afinal era um grande guerreiro que contra  todos os prognósticos continuava a lutar bravamente por sua vida. Lembro ainda de ter prometido aos céus que, mesmo ele sendo portador da FIV, daria um jeito de ficar com ele separado dos outros gatos lá de casa.  
Foi no frio gélido de Florianópolis que recebi uma das notícias mais calorosas da vida, contra tudo e contra todos, ele estava reagindo. Sim, os marcadores da infecção haviam descido vertiginosamente, ele se alimentava sozinho, ele queria lutar, ele podia conseguir fazer com que as manifestações da FIV cessassem. E ele conseguiu. Como? Muito simples, basta olhar no fundo desses olhos de um inacreditável azul celeste, que, certamente, os mais sensíveis verão uma vivacidade incomum, um amor desenfreado por essa vida, uma pureza que contrasta com sua personalidade guerreira.
Lembro tão bem do dia da alta, eu sequer podia acreditar que ele estava em meus braços, tão espertinho, apesar de ainda magrinho e debilitado. Trouxe ele comigo, não conseguia acreditar. Preparei um quarto só pra ele com o maior conforto possível, eram 12 doses de remédios todos os dias, o chão tinha que ser constantemente desinfetado para que nenhuma bactéria ou vírus o levasse de volta para a clínica.  E, no início, ele pouco se levantava da caminha, as visitas ao veterinário eram quinzenais, quando não, semanais. Vários problemas decorrentes da FIV apareceram, mas ele já tinha decidido viver comigo e superou um a um.
Ele me ensinou muito sobre amor à vida, sobre serenidade, persistência e amizade. Ele ficou famoso, ganhou fãs, aprendeu a brincar, gostou de fazer algumas bagunças, lembrou que era gato de rua e que podia ser meio bravinho, começou a correr e no dia em que deu seu primeiro salto, comemoramos juntos aquele feito, que antes parecia impossível. Ele engordou mais de 5 quilos, foi ficando forte, seus exames mostraram que enfim a FIV tinha sido controlada e sua saúde foi estabilizada, depois de meses numa luta incessante, que tive a honra de dividir com ele.  
Ele fez com que em mim nascesse algo que, até então, eu nunca havia experimentado, o altruísmo. Essa vontade louca de ajudar por ajudar, sem esperar nada em troca, esse sentimento que, muitas vezes, faz com que nos coloquemos em segundo ou terceiro plano. A causa animal hoje é minha por causa dele, exclusivamente por ele. Todo animal que tento salvar é uma singela retribuição a tudo que ele fez por mim.  Meu maior exemplo de vida é um gato. Sim, meu gato. A ligação que temos é única e ele ficou mimado demais, mas ele sempre me retribui os mimos mostrando a barriguinha, dormindo no meu colo e sim, ele faz muita distinção entre mim e as outras pessoas. Talvez seja por ele ter conhecido a maldade humana na própria pele ou por ele imaginar que sou da mesma espécie que ele. Nunca vou saber!
Quando a vida é cruel, sem graça ou injusta, basta observá-lo num dia de sol e tudo fica mais fácil. Seu focinho parece distinguir uma gama de aromas, que o fazem perder horas apurando ainda mais seu olfato, seus olhinhos cristalinos contemplam o céu, os pássaros e o movimento da rua, e vejo sua enorme satisfação em sentir o sol aquecer seu corpo peludo e robusto.  Ele não para quieto um minuto, ele tem fome de vida, quer brincar, comer, pular e correr, tudo junto, nesse minuto.  Ele é uma inspiração na minha vida, são dois anos de muita alegria ao seu lado!! Sinto-me abençoada por ter tido a sorte de ganhar um presente tão especial! Obrigada Gugu!!! Te amo pra sempre, filho!"

* O texto entre aspas vermelhas é de autoria da Patrícia, dona do Guguzinho.


**Guguzinho, o gato, tem uma página no Facebook, onde ele interage com as pessoas que acessarem a página e curtirem. Quem quiser, pode colaborar com doações para ajudar os gatos resgatados e conhecer mais sobre este bonito trabalho. O link da página do Gato Guguzinho está logo abaixo:




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*Franco Barni (MTB 29.942)

*Franco é jornalista há 20 anos, foi colaborador Jornal Correio Mariliense,  escreveu no Jornal de Lins, foi colunista do Correio de Lins, Jornal da Moóca e Revista Tatuapé. Trabalhou na AgipLiquigás do Brasil como Assessor de Comunicação Social. Para conhecer meu currículo em detalhes, clique aqui


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